
O economista Orlando Matos faleceu na madrugada desta terça-feira (13), aos 82 anos, após enfrentar uma luta contra o câncer. Nascido em Juazeirinho, distrito de Conceição do Coité, ele era irmão do diretor da Rádio Jacuípe, Evandro Matos, do ex-prefeito e fundador da emissora, Valfredo Matos, e tio do atual prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos.
Funcionário aposentado do Banco Central e ex-professor da Universidade Católica de Salvador, Orlando Matos teve uma trajetória profissional marcada por atuações no Banco do Nordeste, Banco Central do Brasil e até na implantação do Banco Central de Angola. A família informou que o sepultamento deve acontecer na quinta-feira (15), em Salvador, com horário e local ainda a serem definidos.
Filho mais velho do casal Antônio e Antônia, Orlando Matos foi aluno da primeira turma do Colégio Nossa Senhora da Conceição, em Riachão do Jacuípe, município para onde se mudou ainda jovem com a família. Após concluir seus estudos básicos, mudou-se para Salvador, onde se diplomou em Economia e iniciou sua carreira profissional.
Além de sua atuação no sistema financeiro brasileiro, Orlando Matos teve uma importante passagem internacional quando, após aposentar-se do Banco Central do Brasil, trabalhou na implantação do Banco Central de Angola, contribuindo para a estruturação do sistema financeiro do país africano.
Casado com Vera Lúcia Barreto (já falecida), com quem teve três filhos - Danilo (publicitário), Luciano (jornalista) e Mariana (farmacêutica) - Orlando Matos residia em Brasília com sua companheira Lúcia nos últimos anos.
Apesar de viver distante, o economista manteve fortes laços com sua terra natal. Ele sempre recepcionou o irmão Valfredo em Brasília quando este era prefeito de Riachão do Jacuípe e colaborou ativamente com ideias para o desenvolvimento do município. Amante da cultura, Orlando Matos ajudou e incentivou o Projeto Cultural Riachão desde sua criação, demonstrando seu compromisso com a preservação das tradições locais.
Nos últimos anos, Orlando Matos dedicava-se à escrita da biografia de seu pai, Antônio Vaqueiro, com ênfase em estudos sobre a terra, características do solo, moradores e modos de vida da região. Já havia publicado um livro na área de economia, demonstrando sua produção intelectual contínua mesmo após a aposentadoria.
Apesar de residir em Brasília há décadas, Orlando Matos sempre manteve vivo o interesse pelas questões do Nordeste brasileiro, retornando regularmente a Riachão do Jacuípe para visitas e mantendo-se conectado às raízes familiares. Sua trajetória profissional, que incluiu desde o ensino universitário até consultorias internacionais, contrastava com a simplicidade de suas origens em Juazeirinho, distrito de Conceição do Coité, onde nasceu e onde mantinha fortes vínculos afetivos.
A morte de Orlando Matos representa uma perda significativa não apenas para sua família - que inclui figuras proeminentes da política e comunicação regional - mas também para o círculo intelectual e cultural da Bahia, que perde um economista respeitado e um entusiasta das tradições nordestinas.