
O evento Vozes em Travessia: a palavra e a autoria trans ocorrerá em 29 de janeiro de 2026 na Biblioteca Central do Estado da Bahia, em Salvador, marcando o Dia Nacional da Visibilidade Trans com uma programação que reúne escritores, poetas e artistas trans para dar visibilidade à produção literária e cultural desta população.
Organizado pela Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA), o encontro acontecerá das 17h às 21h20 no endereço Rua General Labatut, 27, no bairro dos Barris. A iniciativa reafirma o compromisso com políticas culturais e a promoção da diversidade, inclusão e respeito às identidades de gênero, ampliando o diálogo entre literatura, arte e diversidade no cenário cultural baiano.
A programação inclui duas rodas de conversa com temas centrais: A palavra como travessia e a produção de vida e Literatura como gesto político: o que nossas obras fazem no mundo?. Entre os debatedores confirmados estão Jenny Müller, Lírio Lira, Adeloyá Oju Bara, Letícia Nascimento, Thiffany Odara e Van Amorim. A escritora e doutoranda em Educação Thiffany Odara destaca que o evento evidencia o protagonismo de pessoas trans no mundo acadêmico, da escrita e da arte, enfrentando o negacionismo e preconceito enraizado na sociedade.
Além das conversas, haverá intervenções poéticas com Kuma França e Sued Hosaná, performance artística de Máxima do Ébano, apresentação musical de abertura com Meg Azevedo (voz e violão) e atração cultural com a Transbatukada. A abertura institucional contará com a presença do secretário estadual de Cultura Bruno Monteiro e do diretor-geral da FPC Sandro Magalhães, que enfatiza que garantir acesso à palavra é cumprir uma missão pública de democratizar a cultura.
O evento se insere nas comemorações do mês da Visibilidade Trans, data que simboliza a luta por reconhecimento, cidadania e direitos da população trans no Brasil desde a campanha nacional lançada em 2004. Como explica o professor e transativista Bruno Santana, ao afirmar autorias trans como produtoras de saber, o evento confronta diretamente a lógica transfóbica que reduz corpos trans à vulnerabilidade. Vozes em Travessia representa assim um marco na valorização da literatura dissidente e na construção de futuros possíveis através da palavra.