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O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) em Feira de Santana sediou, nesta semana, uma coletiva de imprensa que expôs o impacto devastador da violência no trânsito na saúde pública. Dados apresentados revelam que, em 2025, a unidade realizou 3.339 atendimentos a vítimas de acidentes, um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior, com custos que podem chegar a R$ 5 mil por dia por paciente na UTI.
O que causou o aumento nos atendimentos? Segundo a diretora-geral do HGCA, Cristiana França, cerca de 80% dos pacientes politraumatizados atendidos são vítimas de acidentes de trânsito, com "predominância absoluta" dos envolvendo motocicletas. A maioria são homens entre 16 e 35 anos, faixa etária economicamente ativa. Muitos pacientes de municípios vizinhos e distritos rurais chegam com traumas cranianos graves, frequentemente pela não utilização do capacete.
Qual o impacto financeiro para o SUS? Cristiana França detalhou os custos elevados: um paciente politraumatizado na UTI custa em média quase R$ 5 mil por dia. Nas enfermarias, um paciente ortopédico custa cerca de R$ 1 mil diário, enquanto na neurocirurgia o valor pode chegar a R$ 2 mil. "Recursos que poderiam estar sendo direcionados para outras melhorias na assistência à população", explicou a gestora, enfatizando que o hospital é a "última porta" de um problema que começa no trânsito.
Quais ações estão sendo planejadas? O superintendente municipal de Trânsito de Feira de Santana, Ricardo Cunha, destacou a importância da imprensa no enfrentamento à violência viária e anunciou a realização de um Congresso de Trânsito em Feira de Santana, que dará início a uma discussão ampliada sobre mobilidade e segurança viária no Nordeste. A coordenadora da Câmara de Mulheres Empreendedoras, Leidiane Queiroz, reforçou o compromisso do empresariado local em colaborar com ações preventivas.
O debate no HGCA contou com a participação integrada de forças de segurança como Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Trânsito, reforçando a necessidade de ações contínuas e preventivas. A mensagem central é clara: enquanto o Estado investe em tecnologia hospitalar, a solução sustentável passa por educação e fiscalização efetiva no trânsito para reduzir acidentes e preservar vidas e recursos públicos em Feira de Santana e região.