
O Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), está implementando um pacote de obras de macrodrenagem em oito municípios baianos, com um investimento total de R$ 246.862.026,37. As intervenções, que integram a estratégia estadual de prevenção a desastres naturais, têm como objetivo principal o controle de inundações urbanas e a melhoria da qualidade de vida em áreas vulneráveis a enchentes. Os recursos são provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em parceria com o Ministério das Cidades, e serão executados pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) entre 2026 e 2028.
As obras contemplam as cidades de Ilhéus, Ipiaú, Itororó, Juazeiro, Ubaíra, Santo Amaro, Dário Meira e Medeiros Neto, focando especificamente na população residente em áreas de risco de inundações recorrentes. As intervenções incluem a construção e adequação de canais de macrodrenagem, ampliação da capacidade de escoamento das águas pluviais, controle de alagamentos e ações sociais associadas às obras. Segundo a secretária de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira, a macrodrenagem representa uma "prioridade estratégica" do governo estadual, com o objetivo declarado de "cuidar das cidades e das pessoas", proteger vidas e preparar os municípios para os desafios climáticos.
Analisando o contexto histórico, investimentos em infraestrutura de drenagem urbana frequentemente enfrentam críticas quanto à eficiência na aplicação de recursos públicos, especialmente quando vinculados a programas federais de grande porte. A previsão de execução entre 2026 e 2028 levanta questões sobre a capacidade de planejamento de longo prazo e a efetividade imediata das medidas, considerando que as populações vulneráveis continuam expostas aos riscos durante o período de implementação. A dependência de recursos do Novo PAC também insere o projeto em um contexto político mais amplo, onde a continuidade das ações pode estar sujeita a mudanças na política nacional.
O projeto de macrodrenagem representa uma resposta técnica às recorrentes crises de enchentes que afetam municípios baianos, com potencial para reduzir danos materiais, riscos à saúde pública e perdas de vidas durante períodos de chuvas intensas. No entanto, a efetividade real dessas intervenções dependerá da qualidade da execução, da manutenção adequada das obras após conclusão e da integração com políticas urbanas mais amplas. O sucesso na minimização dos impactos das enchentes será o verdadeiro indicador do retorno sobre o investimento de quase R$ 247 milhões em infraestrutura pública, num setor onde promessas governamentais nem sempre se traduzem em resultados tangíveis para as populações mais necessitadas.