
Foi protocolado nesta quarta-feira (14) no Senado Federal um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A representação, encaminhada ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, foi assinada pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicano-DF), que alegam indícios de crime de responsabilidade com fundamento na Constituição Federal.
Os parlamentares apontam suposta violação ao dever de imparcialidade, que afetaria o Estado Democrático de Direito, além de conflito de interesses e conduta incompatível com o decoro do cargo. O documento de solicitação afirma que as ações configuram "frontal afronta aos princípios constitucionais da administração pública, em especial à moralidade, à impessoalidade e à finalidade pública".
Entre os fatos citados estão atos praticados por Toffoli no âmbito do chamado "Caso Banco Master", além de relações extraprocessuais e possíveis vínculos indiretos envolvendo familiares do ministro. Citando matérias veiculadas por jornais nacionais, o documento destaca que Toffoli "viajou a Lima, Peru, como passageiro em aeronave particular do empresário, na companhia de advogado integrante da defesa de um dos investigados no inquérito do 'Caso Banco Master'".
Os senadores também citam outras apurações contra Toffoli e destacam que "a violação dos deveres legais é agravada pela transgressão aos princípios éticos fundamentais" e que a "criação de qualquer aparência de vínculo privilegiado com uma das partes constitui violação do Código de Ética da Magistratura".
O pedido de impeachment contra um ministro do STF representa um movimento raro e de alta complexidade institucional, exigindo análise detalhada tanto pelo presidente do Senado quanto por comissões especializadas. Historicamente, processos dessa natureza enfrentam rigorosos critérios de admissibilidade e tramitação, com precedentes que demonstram a necessidade de evidências robustas para avançar. A iniciativa ocorre em um contexto de crescente tensão entre poderes, onde ações judiciais contra figuras políticas têm sido frequentemente questionadas quanto a sua imparcialidade, levantando debates sobre os limites da atuação do Judiciário e a necessidade de mecanismos efetivos de controle. O desfecho deste processo poderá estabelecer parâmetros significativos para futuras relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário.