
A polarização política entre petismo e bolsonarismo nas eleições de 2026 está levando partidos de centro e centro-direita a considerarem oficialmente uma posição de neutralidade nacional, abrindo mão de apoio formal a qualquer candidato presidencial. Essa estratégia, já admitida publicamente pelo presidente do MDB, Baleia Rossi, permitiria que diretórios estaduais negociassem livremente alianças conforme a realidade local, conciliando divergências regionais dentro das legendas.
O que levou os partidos a considerarem a neutralidade? A perspectiva de uma eleição marcada pela polarização extrema fez com que siglas como MDB, PP (em federação com União Brasil) e Republicanos avaliassem que a neutralidade no plano nacional preserva margem de negociação e evita rupturas internas. Para aliados do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o discurso de neutralidade é "normal" e serve para não antecipar apoios.
Como funcionaria a neutralidade na prática? O presidente do MDB, Baleia Rossi, afirmou ao Estadão que, em caso de polarização, "a tendência do MDB é realmente, em nível nacional, liberar". Isso reflete diferenças regionais: no Nordeste e Norte, o partido tende ao alinhamento com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto no Centro-Oeste, Sul e Sudeste há resistência a alianças com o PT. A neutralidade conciliaria essas divergências.
Quais outros partidos avaliam essa estratégia? O presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, disse que a posição do partido "vai depender da campanha de Flávio" e admitiu que a falta de acenos do senador ao centro poderia levar à neutralidade. Lideranças do PP temem que Flávio opte pela polarização, como ao indicar o irmão, Eduardo Bolsonaro, para Ministro das Relações Exteriores. Se o nome desagradar, a tendência é liberar diretórios estaduais, beneficiando candidatos do PP no Nordeste, como o ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA).
A neutralidade partidária emerge como uma saída estratégica para partidos de centro enfrentarem a polarização em 2026, com potencial para reconfigurar alianças estaduais e impactar a dinâmica eleitoral. Enquanto o governo Lula aguarda pelo menos a neutralidade de siglas que comandam ministérios, a definição final dependerá de negociações e gestos políticos nos próximos meses, moldando o cenário para uma das eleições mais fragmentadas da recente história política brasileira.