
A Polícia Federal (PF) inicia nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, os depoimentos de oito investigados na operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. As oitivas, realizadas por videoconferência ou na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrem das 8h às 16h e seguem até terça-feira, 27, focando em R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas de crédito e R$ 11,5 bilhões em ativos inflados via gestora Reag DTVM.
O que causou a investigação? O caso surgiu após o Banco de Brasília (BRB) anunciar, em 28 de março de 2025, uma proposta para comprar o Banco Master, visando formar um novo conglomerado controlado pela estatal. No entanto, o Banco Central (BC) reprovou o negócio em 3 de setembro de 2025, devido a desconfianças sobre a qualidade dos ativos do Master. Investigações subsequentes indicam que o esquema, liderado pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, envolvia operações irregulares para inflar artificialmente o balanço do banco, permitindo que ele continuasse emitindo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com retornos acima da média, apoiados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Quem será ouvido pela PF? Entre os depoentes estão Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva, empresários; Alberto Felix de Oliveira, superintendente de tesouraria do Banco Master; Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente do BRB; Luiz Antonio Bull, ex-diretor executivo do Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, executivo do Banco Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-executivo do Banco Master. A primeira etapa da operação prendeu Vorcaro em 17 de novembro de 2025, um dia antes do BC determinar a liquidação do Master, mas ele foi solto posteriormente.
Os depoimentos desta semana são um passo crucial na operação Compliance Zero, que busca esclarecer uma teia de fraudes que ameaçou a estabilidade financeira. Com o BC já tendo liquidado o Banco Master e entidades relacionadas, as investigações da PF podem levar a novas ações judiciais e regulatórias. O caso destaca riscos em operações de fusão bancária e a importância de auditorias rigorosas, especialmente em transações envolvendo instituições públicas como o BRB. Acompanhe para atualizações sobre os desdobramentos e possíveis condenações.