
Vereadores de 35 municípios dos Territórios de Identidade do Sisal e da Bacia do Jacuípe se reuniram em Audiência Pública na Câmara Municipal de Gavião, na quarta-feira (14), para enfrentar a crise de desabastecimento de água potável que atinge mais de 860 mil habitantes. A reunião, idealizada pelos vereadores Robinho de Cabochard (Valente) e Orlando Rios "Landinho" (Nova Fátima), deliberou um pacote de sete medidas agressivas contra a Empresa Baiana de Águas e Esgoto (Embasa), que se ausentou do evento.
Apesar do convite formal, a Embasa não enviou representante à audiência, atitude considerada "grande falta de respeito" pelos participantes. O prefeito Assis Porto (Solidariedade) e o vice Gilmário do Sindicato de Nova Fátima, o presidente da Câmara Juary Lima, o assessor especial do governador José Adriano Lima, além de mais de uma dezena de vereadores de municípios das duas regiões, representantes de associações, sindicatos e populares discutiram ações para minimizar a situação.
Os participantes destacaram o lucro líquido de aproximadamente R$ 1 bilhão da Embasa em 2024, contrastando com a "pouca atenção" oferecida às regiões. Reclamações ecoaram sobre as "mesmas desculpas há décadas" para o desabastecimento, com a população cobrando investimentos concretos e imediatos. Desde a véspera do Natal de 2025, muitos municípios enfrentam dificuldades, chegando a mais de trinta dias sem abastecimento em alguns casos.
Foi lembrado que a região do Sisal conta com seis deputados estaduais: Alex da Piatã, Laerte do Vando, Luciano Araújo, Luciano Simões Filho, Marcinho Oliveira e Osni Cardoso (licenciado, mas com retorno iminente à ALBA). A audiência deliberou sete medidas principais: 1) Oficiar os deputados estaduais para criar Comissão Especial Emergencial na Assembleia Legislativa, podendo usar obstrução de pauta; 2) Ação Civil Pública contra a Embasa com os 35 municípios e Ministério Público; 3) Manifesto público de repúdio divulgado nos principais meios de comunicação; 4) Criação da UNSJ – União dos Vereadores do Sisal e do Jacuípe; 5) "Dia da denúncia" para protocolo massivo de reclamações; 6) Canal de interação popular para expor desserviços; 7) Anistia de faturas de dezembro/2025 e janeiro/2026 para consumos até três vezes a taxa mínima.
A medida mais emblemática aprovada foi a organização de caravanas à Governadoria, com previsão de 50 ônibus saindo dos dois territórios em comboio até a sede do governo estadual, possivelmente no dia 22 de março (Dia Mundial da Água). Os participantes foram enfáticos: "Alguém precisa pagar essa conta, e não pode ser o consumidor, já que pouco ou nenhum uso fez da água, que não chegou nas torneiras". A crise hídrica, que se arrasta há décadas com promessas não cumpridas, agora tem resposta organizada dos representantes municipais, que prometem pressionar o governo estadual e a Embasa com todas as ferramentas legais e políticas disponíveis.