
A prisão de ex-presidentes do Brasil coloca em evidência as condições de cumprimento de pena para figuras que ocuparam o cargo máximo do país. As instalações variam drasticamente: de celas adaptadas em superintendências da Polícia Federal a alojamentos em batalhões militares, como o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.
Jair Bolsonaro foi transferido para a “Papudinha” em 15 de janeiro de 2026, cumprindo pena em um espaço de cerca de 64 metros quadrados, que inclui uma área externa de 10m². A acomodação, ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, assemelha-se a um pequeno apartamento, com quarto, sala, cozinha, banheiro, lavanderia, cama de casal, televisão, geladeira e chuveiro com água quente. O local abriga policiais e ex-autoridades que necessitam de isolamento, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu detido por 580 dias, entre 2018 e 2019, na Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba. A cela, tratada como uma “sala de Estado-Maior” pelo então juiz Sergio Moro, tinha aproximadamente 15 metros quadrados, com cama de solteiro, armário, banheiro privativo e isolamento total, vigiado 24 horas por dia.
Fernando Collor de Mello, preso em 2024, passou uma semana no presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió, antes de migrar para prisão domiciliar em um apartamento na orla da praia de Ponta Verde. O imóvel, uma cobertura duplex de 600 metros quadrados com piscina privativa, bar e quatro suítes, foi avaliado pela Justiça do Trabalho em R$ 9 milhões em 2024.
Michel Temer, preso preventivamente em 2019, passou por duas sedes da Polícia Federal: primeiro na Superintendência da PF no Rio de Janeiro, em uma sala com cama, ar-condicionado e banheiro privativo, e depois na Superintendência da PF em São Paulo (Lapa), em uma cela especial que oferecia condições adequadas de higiene e segurança, conforme determinação do STF.
As condições de detenção de ex-presidentes brasileiros refletem prerrogativas de cargo e decisões judiciais, variando de celas modestas a acomodações com comodidades residenciais. A transferência de Bolsonaro para a “Papudinha” em 2026 destaca a busca por instalações adequadas, enquanto casos como o de Collor mostram a flexibilidade em cenários de saúde. Esses contrastes continuam a gerar debates sobre igualdade no sistema carcerário.