
A advogada Janaina Reis Miron, irmã do prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB), foi liberada na tarde de sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, após audiência de custódia no Fórum da Barra Funda. Ela havia sido detida na quinta-feira (15) na Zona Sul da capital, identificada pelo sistema de reconhecimento facial Smart Sampa — programa da prefeitura que é uma das principais vitrines da administração de seu irmão — enquanto buscava remédios em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Contra Janaina, haviam mandados de prisão em aberto por condenações por embriaguez ao volante, desacato e lesão corporal. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou a soltura, justificando que as penas fixadas determinam cumprimento em regime aberto. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que acompanharam o caso informaram que a advogada estava na UBS para retirar medicamentos essenciais para tratamento de alcoolismo e cirrose, com transplante de fígado marcado para terça-feira (20).
A defesa alegou que os mandados foram expedidos porque Janaina deixou de comparecer a audiências anteriores e não se apresentou mensalmente ao fórum, conforme exigido, e que ela não foi informada por seu antigo defensor sobre as datas. O delegado responsável confirmou que ela é dependente química e está em tratamento. Os mandados referem-se a dois episódios: um de 2022, em Botucatu (SP), onde ela foi condenada em julho de 2025 por dirigir embriagada, com licenciamento vencido e habilitação expirada, além de desacatar policiais; e outro de 2014, onde foi condenada em abril de 2024 por agressões contra o próprio filho, com agressões físicas comprovadas por exame de corpo de delito.
A família do prefeito Ricardo Nunes afirmou, por meio de nota, que não mantém contato com Janaina há mais de 15 anos e optou por não se manifestar sobre a prisão. A mãe de Nunes cria um dos três filhos da advogada. A Prefeitura de São Paulo se posicionou, ressaltando que a ação policial “obedeceu ao rigor da lei” e foi executada seguindo os critérios técnicos do Smart Sampa, sistema lançado em 2024 com mais de 30 mil câmeras que integra dados da Guarda Civil, polícias Civil e Militar e outros órgãos para localizar foragidos e pessoas desaparecidas.
O caso destaca a eficácia do sistema de reconhecimento facial Smart Sampa, uma bandeira da gestão municipal, mas também levanta questões sobre a aplicação da lei em situações envolvendo familiares de autoridades. Com a soltura de Janaina, o foco agora se volta para seu tratamento de saúde e o cumprimento das obrigações legais em regime aberto, enquanto a prefeitura reforça a imparcialidade do sistema de segurança.