
O Senado Federal criou um grupo de trabalho para investigar as suspeitas de fraudes no Banco Master, que começará a atuar oficialmente em fevereiro de 2026, antecipando-se a uma possível CPI. A iniciativa é liderada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que afirmou em entrevista que o Senado não sofrerá pressões durante as apurações.
O que causou a criação do grupo de trabalho? A decisão ocorre um dia após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), rever uma decisão e determinar que as apreensões da segunda fase da Operação Compliance Zero fiquem sob guarda da Procuradoria-Geral da República, em vez do STF. Toffoli também designou quatro peritos da Polícia Federal para atuar no caso, intensificando as investigações sobre supostas irregularidades no banco.
Quem compõe o colegiado investigativo? Além de Renan Calheiros, o grupo inclui os senadores Fernando Farias (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alessandro Vieira (MDB-SE), Leila Barros (PDT-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF). O objetivo é acompanhar as investigações em curso, ouvir envolvidos e adotar medidas de fiscalização financeira, atribuição da CAE.
Qual o contexto político paralelo? Há movimentação no Congresso para a instalação de uma CPMI do Banco Master, com três pedidos protocolados: um do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), outro do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e um terceiro articulado pela oposição, que já reúne 256 assinaturas de deputados e cerca de 30 de senadores. A abertura dessa comissão depende da decisão dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Quais são os pontos-chave da investigação? Entre os focos de questionamento está um contrato entre o Banco Master e Viviane Barsi de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões. Este acordo é citado pela oposição como um dos elementos centrais no caso, levantando suspeitas de conflitos de interesse e irregularidades financeiras.
O grupo de trabalho do Senado representa uma resposta rápida às demandas por transparência e fiscalização no caso do Banco Master, com ações previstas para começar em fevereiro de 2026. Enquanto isso, a possibilidade de uma CPMI continua em discussão, dependendo da articulação política no Congresso. Os próximos passos incluem a instalação formal do grupo, a definição de um plano de trabalho detalhado e a convocação de autoridades e testemunhas, com o senador Renan Calheiros garantindo que as investigações seguirão sem interferências externas.